| Vertigo |
SintoniaDe uns tempos para cá tenho tentado entender a amizade. Ou melhor, tenho tentado entender qual sempre foi o meu conceito de amizade. Amizades repletas de cumplicidade, experiências, longa quilometragem, que julguei que jamais se perderia simplesmente desapereceram, sem aviso. Na real posso nominar os amigos que realmente tive na vida, segundo aquele meu velho conceito de amizade. Nesse conceito, de bate-pronto, respondo que uma mão é mais que suficiente para enumerar esses amigos. Hoje, nessa mão, tem apenas um dedo levantado dentro daquele velho conceito. Dia desses passei por um problema pesado, mais pesado do que pensei que pudesse suportar. Olhei prá cacete para essa mão e ela simplesmente se fechou. Na verdade sempre tive amigos pelo meu prazer de ouvir, mas minha fobia absoluta em querer me preservar raríssimas vezes me deixou falar o que realmente eu precisava. Apenas com um dos dedos dessa mão eu acabei indo mais longe. O texto dos 18 anos corridos foi prá ele, no caso, ela. Hoje eu não tenho mais um conceito claro sobre a amizade, aliás, a idade tem servido muito mais para me confundir do que para desanuviar. Como eu gostava das certezas dogmáticas da pouca idade... Era tão confortável. Lembro como uma fotografia da cena do Pierre falando algo sobre "sintonia" e isso demoliu de vez meu conceito sobre amizade da primeira vez que estive e conheci o "universo cemitério". Hoje prezo como amigos queridos pessoas que pouco conheço, quase nunca vejo, mas que escrevem coisas que falam profundamente ao meu coração e abalam minha alma. Mario Bortolotto, Pierre Masato e Douglas Kim (o sumido Mestre Kim, que espero que esteja legal). Esse caras ainda me oportunizaram conhecer pessoas do melhor naipe e que me dão um tranco com seus textos, Marcelo Montenegro, Sérgio Mello, Jorge Cardoso, Reinaldo Moraes, a incrível Clarah Averbuck (tô apaixonado pelos textos dela). Uma dessas pessoas do "universo Cemitério" se foi no início do ano e eu me vi demolido, arrasado e envergonhado perante todos por estar sofrendo tanto por uma pessoa que, sinceramente, nem sei se ligaria meu nome à minha pessoa. Kim me mandou um email fundamental (como são seus textos, sempre) e me fez uma vez mais entender a "sintonia". Sei lá, descobri um novo conceito de amizade que tenho intitulado de "sintonia" na melhor definição Pierriana e isso tem me bastado sobremaneira E para arrematar, estou escrevendo sobre mim em um blog. Não estou mais preocupado em entender alguma coisa. Sinceramente, não estou.
10:36 - 15/8/2007 - post comment
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