| Vertigo |
VIA ÚNICA
Se a única coisa boa que a idade traz é a sabedoria, a minha idade anda aprontando poucas e boas comigo. Eu deveria estar mais sábio. Verdade seja dita que ela me tornou mais ávido a ouvir e menos célere a falar. Isso foi um grande adianto e, só por isso, talvez eu esteja sendo um tanto injusto com a boa e velha idade. Ela parece mesmo, a cada dia, estar arraigando mais os meus defeitos e, acima de tudo, me tornando um intolerante. E a intolerância pode ser o caos, porque ela tende a tornar as suas poucas virtudes em defeitos insuportáveis para os outros e para você mesmo. Mas esse é outro assunto e é melhor deixar ele temporariamente para lá. O que adianta a vida te deixar mais sábio na velhice quando, nessa hora, você está mais para colher o que plantou do que para cultivar alguma coisa? Parece uma piada universal de humor negro (não estou a fim de procurar o termo exato e politicamente correto para substituir essa realmente inofensiva expressão). Uma comédia onde todos conhecem a fala do seu personagem e toda a história e você recebeu apenas o seu papel com a sua fala. Nada mais.
Ou seja, sua idade vai lhe tornar ainda mais impiedoso no julgamento quanto as escolhas que tenham se mostrado não tão frutíferas quanto você imaginava. Pior, se você realmente não acredita em nada, para quê lutar uma luta que inevitavelmente está perdida? Ou você pensa que vai ficar para virar semente? Não tem jeito, época de olimpíada eu fico enfeitiçado, paralisado, absolutamente apoplético, olhando para um menina, uma criança, com as mãos ensangüentadas porque se recusou a soltar de uma barra mesmo sabendo que ela dificilmente será a número 1. O que a levou a escolher ser atleta? O que faz uma pessoa lutar contra uma doença sem cura, se submeter a todo tipo de tratamento mesmo sabendo que seu fim está traçado? O que a leva a se recusar a morrer? O que nos leva a não jogar a toalha quando chega o momento de colhermos o que plantamos e vemos que a seca foi mais grave do que avaliávamos, nosso solo era menos fértil do que pensávamos e, enfim, nossa sorte não foi boa?
Veja, o que nos competia, foi feito da melhor forma possível. Plantamos o que era digno e ele simplemente não floresceu e não deu fruto como esperávamos. Demos nosso suor, nosso melhores anos de vida, nossa competência e a coisa simplesmente não vingou. E a vida foi passando. Cara, tenho buscado essa resposta e o que tem vindo em minha cabeça não é a propaganda do Governo Federal de que “eu sou brasileiro e não desisto nunca”. O que tem vindo é o bom e velho Rocky Balboa, quando dispara para seu filho em seu último - e para mim, comovente - filme: "Deixa eu te falar uma coisa que você já sabe. O mundo não é feito de sol e arco-íris. É um lugar muito ruim e mau, que vai te bater até você ficar de joelhos e vai te manter assim permanentemente, se você deixar. Você, eu, nem ninguém bate tão forte quanto a vida. Mas não se trata do quão forte você pode bater e revidar; mas se trata do quanto você consegue agüentar apanhar, e continuar seguindo Agora, se você sabe que é digno, então vá e pegue o que você é digno. Mas você tem que estar disposto a apanhar, e não sair apontando dedos dizendo que você não está onde gostaria por causa dele, dela ou de ninguém. Covardes fazem isso e isso não é você. Você é melhor que isso!" (a boa tradução peguei de http://dzinhacaixadepandora.blogspot.com/2008/02/rocky-balboa.html) Alguns de nós, ironicamente, nessa comédia, resolvemos improvisar apenas para dizer: Não sou covarde e sei o que é digno. Vamos em frente. 01:25 - 11/8/2008 - post comment
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